✈️Nomade Fuleiro
📍 Florianópolis, Brasil··1 ano e meio de jornada

Por Que Escolhi Ser Nômade

A decisão de trocar a estabilidade por movimento, incerteza e autoconhecimento. Um texto sobre medo, liberdade e a vontade de viver sem arrependimentos.

Silhueta de um viajante com mochila observando o horizonte

Eu poderia ter ficado no Brasil, trabalhando com calma, construindo uma vida mais estável, pensando em comprar um carro, uma casa, seguindo um caminho mais previsível. Mas, aos 24 anos, decidi me jogar de cabeça na vida nômade.

Não foi uma decisão impulsiva do nada. Foi uma escolha que nasceu de um incômodo cada vez maior com a mesmice. Eu queria sentir mais a vida acontecendo. Sempre tive muito medo de olhar para trás e perceber que deixei o tempo passar sem realmente aproveitar. O tempo não volta, e eu não quero carregar arrependimentos por não ter tentado.

ℹ️ Saiba mais

Hoje, para mim, viver de forma nômade não é fugir da estabilidade. É buscar uma vida que faça sentido antes de escolher onde criar raízes.

Mais Vida, Menos Piloto Automático

Uma das principais razões para eu escolher esse caminho foi justamente a vontade de sair do automático. Eu já sabia que poderia construir uma vida boa no Brasil, mas isso, sozinho, não era suficiente.

Eu queria emoção. Queria movimento. Queria me desafiar. Queria me colocar em contextos novos, longe do conforto que faz tudo parecer seguro, mas também parecido demais.

Existe uma sensação muito específica quando você percebe que está vivendo dias diferentes entre si. Acho que era isso que eu buscava: a sensação de estar realmente presente, de sentir que a vida está andando junto comigo, e não passando por mim.

A Jornada de Me Encontrar

Também existe um lado muito mais interno nessa escolha. A vida nômade, para mim, é uma jornada de autoconhecimento.

Quando você está em um país novo, sem conhecer ninguém, sem os seus hábitos de sempre, sem a sua rede de apoio por perto, sobra muito espaço para encontrar a única pessoa que vai estar com você em todos os lugares: você mesmo.

Muitas vezes, essa jornada é solitária. E justamente por isso ela revela muito. Você começa a perceber como reage ao desconforto, ao medo, ao silêncio, à saudade, à liberdade e à incerteza. Eu acredito que essas experiências te obrigam a se conhecer em um nível mais profundo.

Ao mesmo tempo, existe em mim a vontade de encontrar um lugar que eu considere melhor para viver do que Florianópolis, onde moro hoje. Sinceramente, acho isso difícil. Florianópolis é uma cidade muito especial para mim. Mas, antes de decidir me estabilizar em qualquer lugar, eu quero ter certeza de que fiz essa escolha com consciência, e não por inércia.

E Se Der Errado?

Uma coisa que aprendi é que costuma ser muito mais fácil se arrepender do que você não fez do que daquilo que você fez.

É muito a partir dessa ideia que estou vivendo esse momento. Se der tudo errado, eu volto para o Brasil. E tudo bem.

Eu sinto que estou na idade certa para tentar. E, se no fim não funcionar do jeito que imaginei, ainda assim vou sair dessa experiência entendendo melhor o que eu gosto, o que eu não gosto e o tipo de vida que faz sentido para mim.

Na verdade, muitas vezes saber o que você não quer já é quase tão valioso quanto descobrir o que você quer.

💡 Dica

Para mim, essa fase da vida é menos sobre acertar de primeira e mais sobre ter coragem de experimentar antes de decidir.

Quando Essa Ideia Ficou Real

O conceito de ser nômade sempre esteve na minha cabeça, mas como uma ideia distante, quase isolada, como se fosse algo bonito de imaginar e impossível de viver.

Isso começou a mudar quando passei a trabalhar para uma empresa europeia. De repente, aquilo que parecia abstrato ficou mais próximo, mais concreto, mais possível. A ideia saiu daquele canto distante da mente e começou a ocupar espaço de verdade.

Eu já sabia que gostava de movimento, de mudanças, de me sentir desafiado e de sair da zona de conforto. Quando a oportunidade apareceu, pareceu o momento certo para testar esse estilo de vida.

Por Que Criar Este Blog Agora

Estou criando este blog um ano e meio depois dessa decisão. A jornada começou a ficar longa, cheia de camadas, e eu senti vontade de registrar tudo isso de algum jeito.

Quero poder voltar no futuro e reler esses momentos. Quero lembrar do que pensei, do que senti, dos lugares por onde passei e das dúvidas que me acompanharam ao longo do caminho. No começo, isso é mais para mim do que para qualquer outra pessoa.

Mas também acho que outras pessoas podem gostar de ler. Talvez porque estejam pensando em fazer algo parecido. Talvez porque tenham curiosidade sobre como é viver em movimento. Talvez só porque gostam de histórias honestas.

Nos últimos meses da viagem, tenho ficado especialmente reflexivo sobre muitas coisas. Ter um lugar para centralizar ideias, organizar experiências e clarear pensamentos me pareceu necessário.

Minha ideia com este blog é trazer dicas dos lugares por onde eu passar, mas também relatar as experiências que acontecem no meio do caminho. Porque, quando você está sempre em movimento, muita coisa acontece. E eu quero guardar isso como histórico, ao mesmo tempo em que talvez ajude outras pessoas que também estejam considerando viver assim.

Por Que "Nômade Fuleiro"?

Porque eu tenho muito medo de avião.

Um dia, meu irmão falou brincando que eu era o "nômade fuleiro". Eu gostei do nome na hora. Ele tem ironia, tem personalidade e combina com esse jeito meio improvisado, meio corajoso, meio contraditório de viver.

No fim, acho que esse nome representa bem a proposta do blog: uma jornada real, sem pose de guru, sem romantizar tudo, com medo, dúvidas, perrengues, descobertas e boas histórias no caminho.

#vida-nomade#autoconhecimento#reflexoes#recomecos